20 anos de profissão como jornalista esportivo e vem desde a adolescência colecionando camisas de times e seleções de todo o mundo. Segundo ele, cada camisa e cada clube têm uma história. Ao todo são 1.635 camisas, incluindo seleções e clubes nacionais e estrangeiros.

 

Descreva brevemente sua carreira como cronista esportivo.

 

            Tenho 20 anos de profissão e passei pelos jornais O Tempo, Super Notícia e Aqui. Sou coautor do livro “Galo, Uma Paixão Centenária” (2007) e um dos autores e organizadores do livro “O Milagre do Horto” (2016). Colaborei com a revista Placar e fiz matérias para o jornal inglês The Guardian durante a Copa de 2010. Trabalhei por alguns períodos na sucursal do Lance! em Belo Horizonte e na cobertura esportiva local para a Folha de S.Paulo e para o Estado de S.Paulo. Morei no Rio de Janeiro em 2007, durante trabalhos do Pan-Americano e do Parapan-Americano. Em BH, cobri a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014). Fui comentarista do programa Jogada de Classe, na TV Horizonte, e do Minas Esporte, na Band. Desde 2010 mantenho meu blog, totalmente voltado para o esporte.

 

Mais de 20 anos como colecionador, como começou?

 

 

 

 

            A camisa é a maior representação de um clube. Como apaixonado pelo futebol e estudioso da história do esporte, decidi colecionar as camisas e preservar a memória. A coleção começou para valer quando defini que sempre traria uma camisa de um clube local a cada viagem que faria. A partir daí, sempre que viajava comprava uma camisa, sempre que algum conhecido viajava trazia uma camisa para mim e a coleção foi tomando forma.

 

Cronista esportivo e jornalista pode-se dizer que sua coleção de camisas se deu pela profissão?

 

        Uma coisa ajuda a outra. Sempre fui apaixonado pelo futebol e antes mesmo de me tornar jornalista já tinha algumas camisas. A coleção, inclusive, me ajuda muito na profissão, pois cada camisa e cada clube têm uma história, o que me ajuda constantemente a entender mais sobre o esporte. Por meio de pesquisas sobre cada camisa, é possível descobrir mais da história dos clubes, dos campeonatos e das conquistas. Ser cronista esportivo, por outro lado, também ajuda a ampliar o conhecimento sobre o futebol e me aproxima da busca por camisas novas e de clubes diferentes.

 

Cada uma das camisas com certeza tem uma história para você, conte a história da camisa que mais te marcou.

 

         É difícil selecionar uma camisa apenas, cada uma tem uma história e uma lembrança. Entre as que têm uma história especial, cito a do Notts County, da Inglaterra, clube profissional mais antigo do mundo, fundado em 1862. Sou fã do futebol inglês e já tinha várias camisas dos clubes locais, mas essa, especificamente, eu estava com dificuldade para conseguir, inclusive pela internet. Em uma viagem à Inglaterra, fui a Nottingham, a cidade do Notts, visitar o estádio do clube e tentar comprar a camisa. Fui muito bem recebido no local e inclusive o treinador do Notts fez questão de me acompanhar e mostrar a estrutura do clube. Lá, enfim, consegui comprar a camisa, diretamente na loja do estádio.

 

Como você compra as camisas? Imagino que exista diferenças do começo da sua coleção para hoje em relação a compra, como não ter que fazer viagens, ir aos clubes de cada time etc...

 

         A internet mudou muito a forma de comprar e negociar camisas. No início, para conseguir as camisas, era preciso ir às cidades dos clubes, contar com algum conhecido para trazer ou comprar em lojas esportivas locais, que nem sempre possuíam uma grande variedade. Com as lojas virtuais e os grupos que se formaram nas redes sociais, tudo ficou mais fácil, mais camisas começaram a aparecer e a possibilidade de adquirir raridades cresceu. Hoje as compras são feitas basicamente pela internet. Eu costumo comprar em alguns sites específicos e também de colecionadores com os quais eu já estabeleci uma relação de confiança. Além disso, ajudo a promover encontros de colecionadores em Belo Horizonte. Esses eventos também são uma oportunidade para adquirir novas camisas.

 

Fale seu projeto no instagram Mil Camisas em Mil Dias #1000Days1000Shirts.

 

         A ideia era mostrar um pouco da história do futebol por meio da minha coleção de camisas. Muitas pessoas tinham curiosidade de conhecer o meu acervo e concluí que a melhor forma era fazer isso virtualmente e unir com a meta do projeto, que era contar um pouco da história de cada clube ou seleção por meio de suas camisas. Tenho hoje 1.635 camisas e selecionei mil para mostrar, diariamente, entre março de 2014 e dezembro de 2016, na minha conta do Instagram (instagram.com/fredericojota), onde está disponível para quem quiser conhecer. Foi um longo trabalho de pesquisa, que acrescentou muito conhecimento.

 

Você Aplica dinheiro a sua paixão, você usa as camisas? Ou deixa expostas em um ambiente próprio?

 

         Manter uma coleção requer diversos cuidados. Nem todas as camisas da coleção eu uso, por diversos motivos. Algumas são muito antigas e merecem ser preservadas, assim como outras que foram utilizadas em jogos, que eu guardo com extremo cuidado, por exemplo. As que uso, são lavadas à mão e com produtos especiais. Como o acervo é muito grande, o armazenamento é diferente para cada tipo de camisa. Algumas ficam em araras, outras em caixas ou em um armário específico, entre outros espaços.

 

Thayane Marinho

 

 

Frederico Jota

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA