Descreva brevemente sua carreira.

 

            Sou mineiro de Ferros, com final de infância e começo de adolescência em Belo Horizonte, onde continuei e continuo tendo vínculo até hoje, com maioria dos meus familiares residindo em BH. Aos dezesseis anos fui para Anápolis-Goiás, com minha família, porque meu pai, José Drummond de Camargo, foi mandado para lá para implantar ali a Justiça do Trabalho, pois era jurisdição da TRT da 3ª Região, sediado em Belo Horizonte. Aos 17 anos trabalhava de vendedor numa loja de tecidos e fui a uma rádio em busca de atualizar matéria do colégio com um colega que trabalhava lá. O diretor ouviu a minha voz, conversando comigo, e me convenceu a aprender a ser locutor. No ano seguinte, 1962, completei 18 anos já com carteira assinada em outra emissora, onde passei a fazer de tudo e, como jogava futebol, passei a aprender a cobrir treinos, fazer radio-escuta e ajudar em jornadas esportivas. Rapidamente tornei-me destaque e virei titular, como comentarista esportivo, entre outras funções, na principal rádio de lá (Rádio Carajá). Em seguida virei foca no jornal O Anápolis, com várias coberturas, mas esporte sempre. Em 1969 passei, rapidamente, pelas rádios Guarani, Itatiaia e Inconfidência. Em 1978 cheguei a Uberlândia para trabalhar na Rádio Educadora e ajudar a pôr no ar a TV Paranaíba (hoje Rede Record). Em 1981 fui Chefe de Jornalismo da Rádio Inconfidência. Trabalhei mais de onze anos no jornal Estado de Minas, inclusive oito anos como Gerente da Sucursal Triângulo, mas sempre com a minha coluna esportiva. Hoje assino colunas esportivas para dois tabloides de BH( Santa Tereza Notícias e Jornal do Coração Eucarístico) e para o Diário do Comércio de Uberlândia.

 

Como descobriu a vocação para o jornalismo esportivo?

 

 

 

 

            Vocação é inata e foi se materializando logo que comecei a ser radialista.

 

Qual maior desafio do cronistas esportivo na atualidade?

 

        Ser competentes. Grande parte esquece que primeiro tem que ser repórter, estar bem informado, preservar fontes e fazer opiniões em cima de fatos reais, com isenção e independência. E ter mais cuidado com a língua. Tem muita gente “machucando” o Ruy Barbosa.

 

Qual foi o momento marcante da sua carreira?

 

         Poderia citar vários, porque foram vários. Lembrando o Chico Buarque, eu não vi a banda passar, porque sempre sai na banda. Poderia ser a jornada esportiva de 1965 em que vibrei demais com a conquista do campeonato goiano pelo Anápolis Futebol Clube ou quando o Uberlândia Esporte Clube conquistou a Copa CBF em 1984. Mas não osso deixar de registrar que em 1969, na Rádio Inconfidência, onde eu fazia comentários e reportagens como free lancer, porque foi a única ocasião em que eu, que sou um comentarista que lê o jogo e repassa aos ouvintes, do antigo Independência, ao lado do narrador Celso Martinelli e dos repórteres Armando Mariani e João Natal, disse ao final do intervalo que o técnico Berascochea, do Villa Nova, tinha errado tudo ao escalar seus atacantes e por isto estava perdendo de 1 a 0 para o Sete de Setembro. E emendei o que ele deveria fazer para consertar, pois se o fizesse ganharia o jogo. O João Natal registrou que o técnico ouviu, chamou os jogadores de volta (entravam em campo) e os reposicionou como eu falei. Frisei que ganharia o jogo. Ganhou de 2 a 1, fora o amplo domínio. Em seguida cometi o maior erro da minha vida ao não aceitar ser contratado pelo saudoso Jairo Anatólio Lima, grande locutor, grande homem e legenda da Rádio Inconfidência, como repórter. Exigia sê-lo como comentarista e ele tinha as vagas preenchidas. Me disse para rever minha posição, pois eu estava me precipitando. Mas, nos meus 25 anos, e cheio de grilos na cabeça, fui embora.

 

O que a AMCE representa para você?

 

         Representa um porto seguro, apoio, dignidade para o exercício profissional. Me orgulho de integrar os seus quadros desde fevereiro de 1978 e de ter colaborado, como representante ou diretor, nas gestões do Flávio Anselmo, do Waldir de Castro e do Carlos Cruz.

 

 

 

Thayane Marinho

 

 

Camargo Neto

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA