Como você iniciou sua carreira?

 

       Comecei na Rádio Minas em junho de 1966, já completados 50 anos, e trabalhei lá. Três meses depois a convite da Rádio Itatiaia, por intermédio do Carlos César Franco Gomes (Pinguim), me transferi para lá. Comecei como redator da equipe que dirigida pelo Milton Colen, um grande jornalista de Minas Gerais. Uma equipe muito boa, com grandes profissionais do rádio e da televisão. Então me tornei primeiro plantão (rádio escuta), depois repórter e então houve toda uma sequência na carreira.

 

Por quais empresas você passou?

 

        Trabalhei na Rádio Minas, Rádio Itatiaia, Rádio Inconfidência, Rádio Jornal de Minas, Jornal Diário de Minas, TV Itacolomi, Rádio Guarani, TV Alterosa, TV Horizonte. Andei por muitos destinos por aí.

 

Quais foram os eventos que você cobriu pelo mundo?

 

 

 

 

         Cobri seis copas do mundo e uma olimpíada. A Olimpíada de Seul na Coréia do Sul em 1988 pela Rádio Itatiaia. E as Copas do Mundo, á partir de 1970 até completar a sexta, incluindo as duas edições realizadas no México, em 1970 (minha primeira cobertura de copa), e a de novo 1986. Cobri também as copas da França e Alemanha. Enfim seis copas do mundo.

 

Quais os desafios você teve ou tem na carreira?

 

        Hoje eu não os tenho mais porque sou aposentado. Os maiores desafios foram aqueles de fazer as melhores reportagens marcantes como “Operação do Tostão” (grande jogador mineiro) em 1969 em Houston no Texas; a maior excursão realizada com a Seleção Brasileira até hoje, onde percorremos quase 10 países em 1968. Também a “Operação do Reinaldo”, ex-atacante do Atlético em Nova York. A cobertura do Bayern de Munique que realizei para TV Itacolomi e para o Jornal Estado de Minas. Foram algumas das reportagens que considero como desafios. E nessa linha de desafios, considero também o fato de ter dirigido algumas equipes de rádio e televisão, como as equipes de esportes da TV Itacolomi e da Rádio Guarani, e ter sido também presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos. Uma honra para mim, no momento em que a entidade apesar de ter uma solidez, vivia uma incógnita em relação ao seu futuro. Tínhamos que preservar o patrimônio da entidade e aglutinar a opinião, a presença dos cronistas esportivos, no que fomos muito felizes. Eu sou também publicitário e é outro desafio conciliar o jornalismo com a publicidade, e por um longo tempo consegui. E ainda na vida pessoal, profissional, ter sido servidor público, trabalhando na Belotur, onde  ingressei por concurso e cheguei a sua presidência, e também a superintendência de turismo do Estado de Minas Gerais. São alguns dos episódios que considero como desafios e que felizmente com muita saúde, ajuda dos amigos, da família e de Deus consegui vencer.

 

Qual sua maior experiência como cronista esportivo?

 

        É difícil dizer, porque tudo para mim foi uma experiência. Ser um repórter atuante, dirigente, presente nos grandes acontecimentos do esporte na minha época, considero como um momento marcante. Estar na TV Itacolomi.  líder de audiência a época e fazer o que fizemos, com grandes programas. Tido a primazia de fazer a primeira transmissão em sinal duplo, vindo a imagem do Rio Grande do Sul que gerei lá na TV Piratininga, e recebendo lá em Porto Alegre a imagem da TV Itacolomi. Uma ação inédita até então, pela Embratel. Fomos pioneiros nisso. Enfim, foram momentos absolutamente marcantes e extremamente interessantes.

 

Conte-me um pouco sobre o seu trabalho na AMCE.

 

        O meu trabalho na AMCE de alguma maneira foi facilitado, porque vim para a direção da entidade já tendo ocupado vários os cargos. Fui secretário, tesoureiro, membro da comissão de ética, até chegar á presidência. E os que me antecederam, eram ou foram grandes presidentes, deixaram a entidade de uma forma tranquila para que pudesse administrá-la a minha maneira. Na AMCE, consegui fazer várias obras porque firmei convênios com a SELT (Secretaria de esportes lazer e turismo), construindo novas quadras, uma nova piscina com uma dimensão bem maior do que a piscina que nós tínhamos. Que acabou sendo condenada porque ela já era muito antiga e sofreu com ação do tempo e problemas de fundação. Construímos uma nova piscina, e, sobretudo levar o cronista esportivo, sua família,  e os dirigentes das empresas de rádio e televisão, a participarem dos nossos sábados, domingos, com muita competição em esportes, festas memoráveis. As pessoas lembram até hoje de tudo aquilo que  fizemos. Outra realização foi dar a entidade uma saúde financeira para que ela não dependesse demais da famosa arrecadação do meio por cento que vinha através da arrecadação dos jogos de futebol. Conseguimos amealhar e fazer com que a AMCE tivesse condições financeiras para que sobrevivesse de recursos próprios, com a contribuição dos sócios, sem a dependência da contribuição do futebol. Liberei isso, mas depois alguém voltou com essa arrecadação. Considero que aquele foi um marco da história da entidade, a preservação do patrimônio, porque mantivemos a sede campestre, os quatro lotes de fronte a sede campestre e deixamos o patrimônio da entidade absolutamente integral.

 

Cite uma característica que não pode faltar em um jornalista esportivo?

 

        Informação, diligência e persistência. O jornalista esportivo ele tem que estar permanentemente ligado aos fatos, então é a informação que ele precisa buscar, ser diligente, trabalhar, não pode ser preguiçoso. Precisa ter vontade de levar ao seu público primazia, em primeira mão as notícias, ter o sentido da competição, de poder oferecer ao veículo para o qual trabalha, as melhores notícias e no tempo mais rápido.

Esses são predicados que não podem faltar ao jornalista esportivo, e sobretudo independência. Ser amigo de diligentes no esporte é uma virtude, algo permitido , o que não pode é uma relação promíscua. O cronista tem que manter a sua independência para que não passe por uma situação de constrangimento E poder informar melhor o seu público.

 

Você teria alguém ou já teve alguém como referência?

 

       Muita gente. Seu fosse citar algum nome, estaria esquecendo outras centenas de nomes. Poderia abordar daqui pessoas de Minas Gerais, São Paulo, Rio De Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás... Tive sempre grandes companheiros nos quais de alguma maneira me inspiraram e que sobretudo admirei. Então vou evitar citar qualquer nome para não cometer uma injustiça. Mas digo que me agrada muito lembrar de cada um, e faço com muito carinho porque tive a oportunidade de conviver com alguns dos maiores nomes do rádio, televisão e jornalismo desse país.

Izabela Cardoso

Luiz Carlos Alves- Jornalista

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA