Carreira.

 

"Profissionalmente, tem 39 anos que estou no rádio. Comecei como operador na extinta 'Rádio Pampulha'. Estudava a noite e trabalhava durante o dia. Aos poucos fui aprendendo outros serviços: operador de externa, fiscal de estúdio, programador do mapa comercial, discotecário, redator de textos de utilidade pública e outras informações para os locutores.

De lá fui para a 'Rádio Minas', empresa da mesma organização, também já extinta. Era uma emissora melhor. Com a ajuda da turma, comecei a participar dos programas como repórter de rua, locutor de folga, apresentador de promoções e mais um monte de coisas.

Já formado, arrumei um emprego na 'Varig', no setor de promoções e eventos. Continuei também na rádio, passando para o setor de esportes e para o setor comercial. Vendia patrocínios para as jornadas esportivas, transmissão de carnaval, semana santa e outros eventos.

A 'Varig' me mandou para o Rio. Fui obrigado a deixar a rádio. Por sorte, logo que cheguei, fiz amizade com diversos radialistas e jornalistas que frequentavam os eventos da empresa.

Logo, arrumei uma boquinha passando por diversas emissoras de lá, inclusive de televisão, fazendo de tudo um pouco.

Dois anos depois, voltei para Belo Horizonte, e ao mesmo tempo para a 'Rádio Jornal de Minas', atual Rádio América. A emissora estava preparando uma reestruturação e fui convidado pelo saudoso Padre Antônio Gonçalves para participar da equipe que estava sendo montada. Deixei a 'Varig' e encarei o desafio. Foi um tempo maravilhoso, muitas realizações. Na Rádio América fiz de tudo e mais um pouco. Apresentei vários programas, fiz reportagens e coberturas importantes pelo Brasil e exterior, inclusive acompanhando o Papa João Paulo II em suas visitas ao Brasil, Portugal e Argentina. Montamos uma boa equipe de esportes, viajamos para tudo quanto é canto do mundo, acompanhando os times mineiros e a seleção.

 

 

"Evitei citar datas e nomes de milhares de companheiros, amigos e ouvintes que ao longo desta caminhada vem me ajudando e apoiando.

A todos, o meu carinho e eterna gratidão"

 

Nesta ocasião, participei de diversos cursos, seminários, congressos sobre gestão e comercialização de emissoras de rádio. Fiz até pós-graduação. Tempos depois, assumi a direção geral da Rádio América e da Rádio Universidade FM. Deixei a emissora para assumir um projeto da 'L&C', empresa paulista que estava lançando programação em rede nacional, reunindo mais de 50 emissoras. Um trabalho inédito. Uma rede de emissoras que tocava uma programação pré-gravada em fita de rolo. Um trabalho intenso e vitorioso que colocou várias emissoras no pique da audiência.

De volta a BH, fui trabalhar na Rádio Globo. Apresentei vários programas e participei da equipe de esportes. Ao mesmo tempo, ao lado de amigos, montei uma empresa de eventos, especializada em projetos culturais, sociais, esportivos, turísticos e de lazer. Realizamos grandes eventos em todo o estado, trabalhando em parceria com prefeituras, grandes empresas e entidades. A empresa continua atuando e promovendo os mais variados eventos.

Depois da Rádio Globo, passei pelas rádios Capital e Inconfidência. Ajudei a montar a 'Rádio Metropolitana' e prestei serviços para diversas emissoras de rádio e televisão no interior de Minas, Rio e São Paulo. Participei da criação da 'Rede Mineira de Rádio', com mais de 20 emissoras no interior de Minas, interligadas via satélite.

Mais recentemente, fui convidado para participar do grupo empresarial que criou e está administrando a Rede Gerais de Rádio. A empresa possui 06 emissoras no interior de Minas e uma em Belo Horizonte, além de dezenas de outras parceiras do projeto. Além da cobertura do futebol com equipe própria, a Rede Gerais oferece ao público uma programação popular, com muita informação, entretenimento e interação com os ouvintes. Em todas as emissoras que passei, sempre fiz de tudo, inclusive ocupando cargos de direção, mas sempre ligado ao esporte, organizando e participando das coberturas.

Na verdade são tantos anos de trabalho, tantos momentos importantes, tantos desafios vencidos que certamente esqueci alguns fatos.

Por esta razão, evitei citar datas e nomes de milhares de companheiros, amigos e ouvintes que ao longo desta caminhada vem me ajudando e apoiando. A todos, o meu carinho e eterna gratidão ".

 

 

 

AMCE. "Minha relação com a AMCE é de amor e respeito. Entrei como sócio nos anos 90. Aos poucos comecei a colaborar, ajudando a viabilizar projetos.

Participei do grande desafio financeiro que a entidade enfrentou, culminando com a necessidade de vender a sua sede social para quitar dívidas. Da mesma forma, participei ativamente do saneamento financeiro da entidade e da aquisição do imóvel no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, sua atual sede administrativa e social.

Em 2000, participei da equipe de planejamento e organização do Congresso Brasileiro de Cronistas Esportivos, realizado em Belo Horizonte, com grande sucesso.

 

 

 

"Sem nenhuma vaidade ou artimanha, minha candidatura à presidente nasceu de forma espontânea entre os companheiros"

 

 

 

Em 2009, novamente atuamos na equipe de planejamento e organização de mais um Congresso Brasileiro de Cronistas Esportivos em Belo Horizonte, mais um grande sucesso.

Ao longo dos anos, fui eleito para diversos cargos de diretoria da entidade, participando das chapas dos presidentes Waldir de Castro, Dirceu Pereira e Carlos Cruz.

Em 2013, fui eleito presidente por unanimidade e em 2015 fui reeleito também por unanimidade.

Confesso que nunca pensei em ser presidente. Sempre gostei de participar, de colaborar, de oferecer meus préstimos, dentro daquilo que conheço bem e sei fazer.

Sem nenhuma vaidade ou artimanha, minha candidatura à presidente nasceu de forma espontânea entre os companheiros. Isto muito me orgulha.

Meu único compromisso é com a responsabilidade de presidir uma entidade séria, com mais de 70 anos de existência, uma história relevante e por onde passaram grandes presidentes e diretores.

Administro a AMCE com os pés no chão. Procuro ouvir todas as demandas, atendendo de forma simples e objetiva tudo que é possível e o estatuto permite. Cuido do patrimônio e trabalho de forma totalmente transparente.

Apesar dos poucos recursos, em nossa administração a AMCE mantém todos os seus compromissos em dia. Não tem nenhuma dívida, possui uma equipe de trabalho pequena, mas bem treinada para atender seus associados e parceiros.

Temos um quadro de associados em todas as regiões de Minas, todos devidamente cadastrados, conforme determina o estatuto. Nunca autorizamos a inscrição de alguém que não tenha a documentação exigida.

Não é fácil ser presidente da AMCE. É um trabalho voluntário que exige muita boa vontade e disponibilidade de tempo.

As dificuldades são muitas, os problemas enormes, mas com muito diálogo vamos vencendo os obstáculos.

Agradeço a Deus, minha família, diretores, parceiros e amigos por esta grande oportunidade que a vida vem me oferecendo" .

 

 

 

Casos inusitados. "Tantas coisas acontecem quando se trabalha num meio tão dinâmico e criativo. Muitas gafes, transmissões vibrantes que não saíram no ar e só ficamos sabendo depois, anúncios lidos errados.

Mas recordo, sem saber a data, da transmissão de um jogo em Buenos Aires, entre Brasil e Argentina. Faz tempo, chovia muito. Na hora que o narrador pediu a escalação do time argentino, o papel caiu da minha mão, foi parar numa poça d'água e se desmanchou totalmente.

Não teve jeito. Dei a escalação no ar com nomes improvisados, ligando e desligando o microfone, para fingir que a rádio estava com a linha ruim. Fiquei um tempo fora do ar de propósito. Depois, peguei a escalação com um colega e consertei a coisa.

Depois do jogo levei uma bronca danada. Até hoje fico com vergonha da mancada. Agora, quando tem jogo com chuva, coloco o papel da escalação dentro do plástico. Bela lição".

 

 

Relação com os associados. "Minha relação com os associados é de completa amizade. Procuro conversar com todos, atendo os telefonemas a qualquer hora. Quando não posso, retorno a ligação. Leio as mensagens e procuro responder com agilidade.

Gosto muito de estar ao lado da turma nos estádios e de recebê-los em nossa sede.

Busco sempre atender as demandas. Ajudar, orientar, explicar porque algumas coisas não são resolvidas. Tenho um carinho especial com a turma do interior, gente que luta muito para marcar presença.  Nunca prometo alguma coisa que não possa cumprir. Às vezes prefiro falar um não a enrolar.

 

 

"Gosto muito de estar ao lado da turma nos estádios e de recebê-los em nossa sede"

 

 

Gostaria de ter mais tempo e condições de sair por aí visitando as redações e os companheiros, mas sempre que convidado, compareço ou peço algum diretor para nos representar".

 

 

 

Mudança no modo de trabalho do cronista. "No passado tudo era     mais simples e informal. De uns tempos para cá, mudou muito. A reforma dos dois estádios de BH alterou e muito nosso jeito de trabalhar.

O tal 'padrão FIFA' é bom para copa do mundo, mas muito complicado para a rotina do nosso serviço.

Antes tínhamos cabines exclusivas, hoje trabalhamos em tribunas apertadas. Antes tínhamos estacionamento livre, hoje temos vagas limitadas. Dois grandes problemas, cuja solução parece distante, apesar das reivindicações para mudar.

Em termos de organização, melhorou muito. Tanto nos estádios, como nos clubes, ainda que nem tudo funcione conforme o prometido.

Interessante destacar que aumentou bastante o número de profissionais.

Hoje temos mais veículos de comunicação cobrindo os eventos esportivos, o que é bom, porque gera mais trabalho e renda, mas ao mesmo tempo trás dificuldades para posicionamento e mobilidade de tanta gente.

No interior, as dificuldades são ainda maiores. Em geral, os estádios não oferecem condições ideais para o pleno desenvolvimento do trabalho da imprensa esportiva. Difícil analisar se antes era melhor ou pior.

De qualquer forma, o cronista esportivo é um guerreiro valente. Enfrenta clima bom ou ruim, viaja (nem sempre nas condições ideais), sobe escadas, carrega peso, fica em pé, é tolhido em suas ações, mas nunca desiste de levar informação e emoção para o público".

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA

LUIZ CARLOS GOMES