Como você iniciou sua carreira?

Eu sou advogado, formado em advocacia pela Faculdade Federal  De Minas Gerais , porém eu exerci o jornalismo  , por que de repente  eu comecei a estudar mas  fui trabalhar na Rádio Itatiaia assim que ela mudou para o Bonfim , ela saiu e voltou mas está lá a muito tempo  , e eu como estudante de direito  na minha época e repórter também , repórter por que a rádio era lá e eu morava perto . Tenho amizade com o dono da rádio Emanoel Carneiro que é meu compadre e eu dele , mas ouvia , participava e fui gostando da coisa e ao mesmo tempo estudando , passei a frequentar a cobertura , eventos esportivos  por que a Itatiaia cresceu , pegou a filosofia noticiário ,reportagem  , tinha uns eventos , dar carteirada , e eu fui ficando lá acabei sendo funcionário da rádio. Comecei no esporte  e também estudando  e fui passando de plantão  para repórter do Cruzeiro , depois quando eu formei  de advogado a situação da rádio era muito ruim , estava falida na acepção da palavra , mas como eu era de lá ,estava formando no dia que eu entreguei o diploma para o dono da rádio que era  Januário Carneiro , então já sai formado para segurar muito problema que a rádio tinha até por que fui contratado assim que a rádio não tinha se quer dinheiro para pagar um advogado e fui vivendo dentro na Rádio Itatiaia dentro desse doble aí de jornalista e advogado , eu atuava como advogado por necessidade por que eram muitos problemas e quando eu formei para jornalista eu que era advogado me promoveram para comentarista. Desde de 1970 mais ou menos até hoje quando eu entrei para a rádio na minha carteira estava assinada desde julho de 1963 , fiquei esse tempo todo lá eu sai ano passado  depois que tive alguns problemas de saúde  fui obrigado a parar , mas mantive a profissão de advogado até por que consegui  conciliar e havia necessidade da rádio de eu trabalhar como advogado e comentarista e assim é minha trajetória .Trabalhei em outros veículos que pertenceram  a Rádio Itatiaia como Diário de Minas , sou funcionário público aposentado , trabalhei também  na Imprensa Oficial , Revista Minas Gerais , no Minas Gerais , fechei o Jornal do Estado era 4 horas da manhã, mas o que melhorou mesmo a atuar  foi a advocacia que eu consegui algum escritório com algum movimento da cidade trabalhando para Rádio Itatiaia como advogado e fazendo comentários . Foi um trabalho que sempre gostei , viajei , vi lugares no mundo nos quais não iria se não fosse a profissão tão fascinante como é o jornalismo que não é muito bem remunerado mas é fascinante e gostoso que a gente pode comprovar pela quantidade de gente se propondo a ser jornalista.

 

Quais foram os desafios como jornalista e advogado?

 

Toda vida eu quis ser advogado, sonhava como menino  estudei para isso , eu cai na profissão de advogado pela Rádio Itatiaia, numa emergência por que a Rádio Itatiaia precisava de alguém que fosse de lá , que vencesse os problemas ,mas que fosse de lá conhecesse a temperatura , o local e eu trabalhando na rádio e estudando para advogado , quando eu formei  o dono da empresa  me chamou para ser comentarista esportivo e eu já era advogado ,militante não para lá mas também para o mundo exterior . Eu não tinha obrigação que tem hoje uma pauta cumprida , geralmente chegava na hora do evento e comentava , participava então deu para conciliar esse tempo todo, as duas coisas, mas no caso meu foi excepcional  por que o trabalho do advogado foi uma necessidade por que não tinha e valeu o meu trabalho muito pelo conhecimento que eu tinha ,pela maneira que eu consegui  conciliar os problemas que era muitos da empresa , estava numa situação de penúria e que diante alguns fatos que só a história pode contar e se o Januário tivesse vivo ele falaria que foi o pior ele que botou a Itatiaia na potência , a trajetória não foi fácil eu me lembro que a concorrência era muito mais forte a Itatiaia era pequeninha mas ela foi crescendo e houve alguns fatos da trajetória minha que mudaram a história da rádio e hoje é potente.

 

 

Quais exemplos que você teve na sua carreira?

 

 

 

Eu tive o Januário Carneiro que foi meu patrão , me acolheu , promoveu como  advogado mais por necessidade mas era um cara que dizia e até hoje o bordão dele é vendemos espaços mas não vendemos opinião que é o lema da Rádio Itatiaia , o irmão dele é meu amigo , vi também alguns nomes no passado que foram exemplares como Tancredo Naves, Amilton Macedo , cada um no seu setor mas muito bons e dão exemplo para muita gente , no jornalismo radiofônico , no jornalismo da escrita na imprensa .A minha passagem não foi muito grande foi pouca , cumpri pauta , escrevi reportagem mas foi muito pouca  muito breve, por que eu trabalhava diretamente para rádio , televisão  e esse meio aí eu fiquei mais de 50 anos .

 

 

Qual a Diferença do Jornalismo de antigamente para o jornalismo de hoje?

O jornalismo  vivia muito dirigido do poder econômico  que influencia , pode ser a empresa mais isenta possível mas existem várias pressões para que a notícia seja de acordo com o interesse ,a notícia já vem pronta . A verdade é que a imprensa hoje em dia para ter uma imprensa imparcial está muito difícil, procurar ser imparcial mas é muito difícil apesar de que hoje você vê remessa para esquerda e peneira para a direita , a dependência da verba oficial é que dana tudo  por que é muito difícil ter uma empresa  de jornalismo que foge do patrocínio oficial se algum diretor quer adotar a política de não depender do governo  mas aparece um outro que depende por algum motivo a concorrência aceita fica aquele joguinho de interesses  , então existe jornal que só publica o que é agradável ou por necessidade, ou por que tem medo de uma retaliação .

 

Qual o conselho você tem para dar para aqueles que estão ou ainda vão entrar na profissão?

 

Em todo lugar é ser honesto, não vai faltar alguém para tentar te corromper , te oferecer uma vantagem , precisa saber o que certo o que é errado , vai quebrar muito a cara , perder muita oportunidade mas chegar em casa e dizer passou uns anos e ainda estou ai que é o meu caso eu desafio alguém  em Belo Horizonte na Imprensa Brasileira para dizer que eu comportei mau , que fui antiético , pisei em alguém .Tem gente que acha que para se ter um microfone , uma câmera na frente é uma oportunidade  para você botar para fora , meter o pau em todo mundo , sair acusando . Eu aprendi talvez pelo lado da advocacia  ouvir os dois lados , pesar um lado do outro , graças a Deus eu faço o meu juízo não vou dizer puritano nem que eu não tenha cometido erros  , mas procurei sempre ser exemplo  e as pessoas que tive um problema com elas na trajetória resolvi na hora , pensamos diferentes mas cada um na sua e eu acho que tem que  ter independência para externar os pontos de vistas.

 

O que a AMCE é para você  ?

 

Já fui Vice Presidente da AMCE, em 1947 quando entrei para lá  já tinha alguns que me antecederam , muitos já morreram  , mas tivemos uma época de penúria também  que a gente sustentou , segurou . Antes de ir para o campo íamos com a família para a sede campestre da AMCE  ,reunia. Eu fui Vice Presidente, tive a honra de ser homenageado pelos status da AMCE , eu agradeço essa homenagem mas atualmente eu estou com preguiça de ir até o campo de futebol . Sempre fui um elemento representante da classe, sempre briguei pela classe , trabalhava como advogado em uma empresa  que tinha patrão e também associado da AMCE , por força minha, sempre havia desavenças entre patrão e empregado , entre imprensa e torcedores , entidades contra AMCE e eu sempre mostrei o lado da AMCE pautando pelo estatuto , pela ética e  sobretudo na defesa no interesse . Eu comecei mexendo na política  , mas veio a evolução e estava recém- casado  eu pensava qualquer coisinha que eu falava me perguntava , vem esclarecer . Na época que eles mandava te buscar a imprensa era censurada  , se você falasse que não ia eles mandavam te buscar  e eu não queria isso então eu  pedi para o lado do esporte  me proporcionou muito mais alegria e a censura era muito menor .Hoje nós conseguimos  terminar a AMCE  uma entidade que vai fazer  77 anos , uma entidade que sobreviveu , tem  uma nacional que é a ABRACE. Colocamos a AMCE na ABRACE e ela perdeu força em uma determinada época que os clubes começaram a fazer departamento de relações  e aí começaram a contratar jornalistas ,  a AMCE que era o porta voz das notícias , e os clubes assessoria de imprensa , e existe hoje em decorrência de clubes de futebol maior prestígio contratar jornalistas , muitos deles só vestiam a camisa para divulgar notícias que só os interessavam e a AMCE  foi independente por que ela era  sobrevivia e isso minou um pouco , conseguimos devolver o prestígio que a AMCE tinha junto aos clubes principalmente os principais do Brasil . Eu me lembro que antigamente  para um clube sair do Brasil na década de 60 ele tinha que levar um jornalista da AMCE, um jornalista sindicalizado para acompanhar a delegação , força e uma portaria que o Conselho Nacional dos Esportes  E o governo que ainda era militante exigiu essa portaria que se levasse e isso foi cumprido e vigorou alguns anos.

Izabela Cardoso

Maurílio Costa – Jornalista

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA