Me conte um pouco da sua história como profissional

 

       Comecei a narrar futebol no início dos anos 70 na minha cidade natal, Tupaciguara ( Triângulo Mineiro ). Motivado pela conquista do tricampeonato mundial pelo Brasil no México. No início de 1974 recebi  o convite para vir para a Sete Colinas de Uberaba, final deste ano a Rádio Guarani realizou um concurso para narrador esportivo, idealizado por Flávio Anselmo então chefe da equipe. O objetivo era escolher uma voz nova para substituir Vilibaldo Alves. Entre mais de 3.000 candidatos  entrei para a equipe dos Campeões da Bola. Ainda muito jovem tive um grande aprendizado com craques consagrados do rádio mineiro como Waldir Rodrigues, Luiz Chaves, Flávio Anselmo, Aloísio Martins, Walter Luiz, Paulo Celso, Dirceu Pereira, Cafunga, Márcio de Freitas e outros craques da Guarani e de outras emissoras. Depois de dois anos e meio em Belo Horizonte nasceu o meu primeiro filho e minha esposa preferiu voltar para perto da família. O Uberaba Sport Club foi convidado para disputar o Campeonato Brasileiro e a Rádio Sete Colinas me fez uma proposta para voltar e aqui estou comandando seu Departamento de Esportes há 40 anos.

 

Qual a sua maior experiência como cronista esportivo?

 

        Trabalhar em uma grande emissora de Belo Horizonte era e ainda é o sonho de qualquer radialista. Ter a oportunidade de conviver com profissionais que eram os meus ídolos, no rádio e no futebol foi muito gratificante. Estar perto, viajar junto com Telê Santana, Ilton Chaves, Piazza, Dirceu Lopes , Palhinha, Reinaldo, Toninho Cerezo e muitos profissionais do futebol foram  experiências fantásticas que marcaram a minha vida. Pela Guarani transmiti jogos do Campeonato Brasileiro, em todos grandes estádios e tive a felicidade de transmitir jogos também da primeira Libertadores conquista pelo Cruzeiro. Não há dúvida trabalhar nos Diários Associados, tive a oportunidade de gravar tapes de jogos pela TV ITACOLOMI e fazer matérias para o Diário da Tarde e isto foi sem dúvida minha maior experiência profissional.

 

Você tem ou teve alguém como exemplo na carreira?

 

 

 

 

 

 

 

         Comecei  a narrar futebol influenciado pela chamada escola paulista de narradores que tinha na época grandes nomes como Pedro Luiz, Haroldo Fernandes e Fiori Giglioti. Depois em Belo Horizonte aprendi muito com os narradores da época, principalmente com os da Rádio Guarani, agora o meu grande exemplo que influenciou muito não só minha carreira, mais também minha vida foi o comentarista Flávio Anselmo. Ele me ensinou a ser corajoso, forte nos momentos de dificuldades e leal para os companheiros. O que aprendi com ele em pouco tempo uso até hoje e me considero um profissional vitorioso.

 

O que a AMCE representa na sua carreira profissional? Quando entrou na AMCE?

 

        Filiei-me na AMCE em 1974 e acredito que sou hoje um dos seus associados mais velhos em atividade. Isto me honra muito. Fazer parte do seu quadro associativo. Frequentar o Clube da Ressaca e a sede da Rua São Paulo , me deu a oportunidade de conviver com grandes cronistas de outros veículos.  A AMCE deu-me uma grande contribuição de vida. Na época da minha filiação, quem não era jornalista profissional era admitido apenas como sócio provisório e isto me estimulou a fazer jornalismo. Quando retornei a Uberaba entrei na Faculdade me formei. Isto me possibilitou a trabalhar também em jornal, televisão e até ser Secretário Municipal de Esportes.

 

Existe alguma diferença para você no jornalismo atual?

 

        Do jornalismo mais antigo para o atual, muita coisa mudou. Não apenas em tecnologia, mais também no sentimento profissional no prazer em fazer o trabalho bem feito não importando as dificuldades encontradas. A convivência entre colegas de profissão também era diferente e menos competitiva. No caso do cronista esportivo a relação com os clubes, dirigentes, jogadores, membros das comissões técnicas era diferenciado, amigável e respeitoso. Nas viagens dos clubes em competições nacionais e internacionais um representante da AMCE fazia parte da delegação. Penso que principalmente este relacionamento entre profissionais é o grande diferencial entre o jornalismo de ontem e o de hoje.

Izabela Cardoso

Moura Miranda – Jornalista

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA