Como você começou sua carreira?

 

Isso aí eu não sei nem bem como explicar, está no sangue, no dom de gostar de alguma coisa. Comecei a trabalhar antes de me formar através do rádio e da televisão. Trabalhei na antiga rádio América, rádio Jornal de Minas que era da Arquidiocese, depois passei pela Rádio Mineira fui para Rádio Capital quando foi implantada em Belo Horizonte, logo depois Rádio Inconfidência, depois Rádio Mineira que está até parada, fui para rádio Itatiaia onde fiquei 18 anos e já fiz 6 copas do mundo, trabalhei na época do auge do rádio, onde o profissional precisava ser muito bom para trabalhar no mercado isso não quer dizer que hoje as pessoas são ruins não, mas o esquema era completamente diferente. Então fui para televisão fiquei 8 anos na TV a cabo em um programa diário de esportes, trabalhei na Rádio Jovem Pam de São Paulo, Rádio Capital de São Paulo, tudo começou assim principalmente com o gostar por que se você não gostar do que faz não adianta não basta ter o diploma é preciso o gosto pelo o que faz.

 

Quais Foram os desafios que você teve

tanto com Rádio como com a TV?

 

Por exemplo, no Rádio, hoje tem técnico você não meche na técnica, o profissional da locução só vai para falar. Já na minha época eu tinha que carregar o equipamento tinha que instalar procurar a notícia para entrar na jornada e participar dela como locutor quer dizer naquela época se fazia de tudo no rádio, mas hoje não locutor é locutor, técnico é técnico, motorista é motorista eu cheguei até dirigir e ter carro esse foi o grande desafio, então eu tenho um aprendizado geral da comunicação. A televisão eu não cheguei a trabalhar em uma rede grande como, por exemplo, a Globo que faz Copa do Mundo, vai para o mundo inteiro, onde eu trabalhei era mais regional TV a cabo regional. Embora através do Rádio eu tenha conhecido 70% do mundo acompanhando o Atlético o Cruzeiro a Seleção Brasileira e assim vai.

 

 

Qual aquele na sua carreira você teve como modelo?

 

Eu era piolho e continuo sendo piolho de rádio e quem era bom eu me espelhava nele, por exemplo, no Rio de Janeiro o Deni Meneses que também já aposentou, Ronaldo Castro, em São Paulo o Osvaldo Pasqual, aqui em Belo Horizonte muito gente boa já faleceu como Alair Rodrigues, Paulo Roberto Pinto Coelho, o próprio Osvaldo Faria que não era repórter, mas era comentarista e também procurava encostar-se àqueles que sabiam fazer e dentro do possível que eu tinha eu fazia o meu .

 

 

Você teve alguma experiência que te marcou? Qual?

 

Tenho uma experiência muito grande. Em 1986 na Copa do Mundo do México, o Maradona cobrava para fazer entrevista, eu estava fazendo a Seleção Brasileira e ela foi eliminada da copa. Fui escalado pelo Osvaldo Faria para fazer a seleção da Argentina até o final da Copa e Seleção Argentina foi campeã. E num treinamento que tive que passar as notícias para o Brasil cheio de jornalistas do mundo inteiro e o Maradona lá na frente, eu coloquei o gravador debaixo do braço, passei debaixo das pernas de todo mundo até chegar ao Maradona , quando eu me levantei estava de frente com ele , eu não esperei ninguém falar “atenção vamos começar “eu comecei", liguei meu gravador e comecei a entrevista, era uma coletiva, mas ele respondeu cinco perguntas minhas diretas". Depois eu deixei os outros falarem. E isso me marcou muito, carrego comigo até hoje, por que o repórter além de conhecimento, ele precisa ser atrevido e eu fui.

 

 

Qual o Conselho que você deixa não só para pessoas que já estão na carreira, mas para aquelas que estão começando?

 

Eu sou de uma época que não tinha internet certo? Então eu tinha que buscar a notícia, telefonava para o diretor, para o jogador, procurava me informar, não tinha a internet. Hoje você acessa internet, aperta o botão ali e sabe notícias do mundo inteiro. Mas o profissional, não pode ficar em minha opinião, restrito a internet. Para mim ela é um complemento daquilo que você tem, não adianta você ir para o microfone e repetir o que está escrito na internet, para que? Então o ouvinte, o leitor vai ficar sabendo do que você tinha ouvido, não precisa ouvir mais uma vez. Então nós procurávamos a notícia basicamente 24 horas , quantos telefonemas recebi de madrugada comunicando que ia acontecer algo no dia seguinte. O profissional precisa ter o seu relacionamento, acima de tudo informar, não se envolver, esconder notícia para favorecer A ou B, o jornalista tem que dar a notícia e ponto.

 

Izabela Cardoso

Paulo Rodrigues – Jornalista

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA