Como iniciou a sua carreira no rádio? A quanto tempo está na Rádio Itabira?

 

Tudo começou na informalidade lá em 2010, com 14 anos de idade. Passei os primeiros anos da minha vida acompanhando futebol e consequentemente o rádio. Aos poucos, a junção dessas duas paixões foi moldando uma vontade profissional. Foi quando comecei a narrar os vizinhos jogando futebol na rua, as partidas de videogame...

Criei então uma página para transmitir exclusivamente online através de uma ferramenta gratuita, alguns boletins sobre esporte e algumas partidas do futebol europeu. A intenção era mesmo me aprimorar e acabou sendo um grande aprendizado, não só para mim, mas também para os mais de 15 integrantes que passaram pelo projeto. Com as restrições do mercado e a enorme timidez, rumei a outras áreas profissionais e já enxergava como sonho distante o rádio.

Até que em 2012 conheci o repórter Euclídes Éder que já trabalhava na Rádio Itabira (Única Rádio AM da cidade) a muitos anos, e enviei algumas gravações da época das transmissões divertidas que fazia online, no intuito de obter uma avaliação sobre o meu trabalho. Euclídes encaminhou os arquivos ao chefe de esportes da rádio e em menos de um mês depois eu estava contratado. Comecei fazendo parte da equipe de plantão esportivo e assumi alguns programas da área, e em menos de 3 meses fazia a minha estreia como narrador profissional.

Em meio a reportagens de campo, narrações, atuações como comentarista, plantonista e apresentador; sigo aprendendo todos os dias e ampliando horizontes na profissão, hoje fazendo parte também do departamento de Jornalismo da emissora. Como narrador, minha principal função, são 3 Campeonatos Brasileiros das séries A e B; duas Copas Libertadores da América, incluindo a final de 2013; 4 Campeonatos Mineiros do Módulo I; 3 Estaduais da 2ª divisão com a cobertura dos jogos do meu querido Valerio Doce Esporte Clube; Uma partida da Seleção Brasileira; e diversas outras transmissões, como a Copa do Brasil de 2014, incluindo os dois jogos da decisão.

E lá se vão 3 anos como profissional da Rádio Itabira AM.

 

Você possivelmente é o profissional mais novo da empresa. Quais são as consequências disso? Você enxerga esse desafio como uma grande responsabilidade? Considera que os profissionais mais experientes possam servir de apoio para você?

 

 "Quanto a idade, não houve consequências. Pelo menos não na vida profissional. Sempre tive enorme respeito de todos os colegas, que fizeram o possível para que minha adaptação acontecesse de forma rápida. Um processo muito espontâneo, sincero. As principais consequências estão na vida fora da profissão, como na conciliação dos períodos de viagens com os estudos e a vida social.

Eu enxergo esse desafio com o máximo de responsabilidade desde o dia 2 de maio de 2012. A todo instante tenho na consciência que do outro lado do rádio existem pessoas que confiam na informação que estou passando, na partida que estou contando. O fato de ser mais jovem não interfere na necessidade de transmitir credibilidade e cultivar os bons costumes para obter a confiança dos ouvintes.

Os profissionais mais experientes estão entre os pilares da moldagem dos novatos. A equipe experiente e sólida que o departamento de esportes da Rádio Itabira possui é essencial no meu dia a dia, no aprimoramento. Recebo até hoje o apoio com um carinho imenso que nem sei como retribuir por parte de todos eles.

Peço desculpas por preferir não citar nenhum nome para não cometer qualquer injustiça, mas registro ainda, o apoio de diversos colegas de profissão das outras emissoras que me fazem aprender muito a cada encontro.

 

Em algum momento passou por uma situação inusitada durante as transmissões, como algum erro cometido ou uma gafe?

 

Foram inúmeras situações engraçadas. É difícil me lembrar com muitos detalhes, mas há casos como ter narrado um gol de um jogador, quando na verdade o autor havia sido outro. Já teve também: anotações voando da cabine; falta de bateria no cronômetro comprometendo a marcação do tempo no meio de um jogo; sem falar nas palavras difíceis que só são pronunciadas depois de 3, 4, 5 tentativas; e também nos gritos de torcedores nos estádios mais "acanhados" que os microfones acabam captando: o famoso palavrão surpresa.

 

 

Quem é sua maior inspiração dentro da profissão?

 

Criei, de fato, e sigo aprimorando um estilo próprio, muito particular de narração, com ritmos e bordões diferentes. Mas fui moldado por influências. Ouço futebol pelo rádio a muitos anos. E admiro vários narradores da televisão. São diversas inspirações...

Começo por Pedro Carneiro Pereira, falecido há mais de 40 anos, que fez história no rádio gaúcho. No sul, também admiro muito o Pedro Ernesto Denardin. Também gosto do rádio esportivo do estado de São Paulo e estou sempre pesquisando sobre o Osmar Santos, um ídolo. Sou fã declarado dos canais ESPN de comunicação e como não poderia ser diferente, gosto de todos os seus narradores. Oscar Ulisses, José Silvério, Fiori Gigliotti. Cada uma das estrelas do rádio esportivo paulista também me inspiraram. Em Minas, ainda vou conhecendo aos poucos os trabalhos dos meus colegas de profissão. Pela proximidade, passei a infância e adolescência ouvindo o meu então chefe Luiz Linhares; o Luiz Otávio Pena e Ney Lopes. Narradores que acostumaram o ouvinte itabirano ao longo dos anos. Mesmo caso daqueles que trabalham e trabalharam na capital, como Alberto Rodrigues, Willy Gonzer, Oswaldo Reis e Mário Henrique. Cito ainda os portugueses Pedro Souza e João Ricardo Pateiro.

Como se percebe, é um desafio para mim falar de inspirações... elas estão por toda parte e eu acredito que irão continuar aparecendo. O meu sonho é de um dia poder inspirar alguém, pois sei o quanto isso significa e agrega ao profissional jovem.

 

 

Como você avalia o trabalho da AMCE nos estádios?

 

A AMCE desempenha um bom trabalho e está cada dia mais moderna e caminhando para acompanhar as novas demandas. Acho que é um trabalho necessário e que precisa incentivar a união entre os associados em prol de algumas causas. Isso por observar diversas reclamações partindo dos colegas para com alguns costumes dos estádios ou novas regras das concessionárias que administram nossas principais arenas. De uma forma geral, é bom contar com uma força na luta pelos direitos que nos cabem nas praças esportivas como cronistas, pois hoje o trabalho da imprensa nesse seguimento é limitado em comparação com o de alguns anos atrás. As restrições de um repórter em campo, por exemplo, eram muito menores.

Pedro Abílio

PERSONAGEM DE UMA HISTÓRIA