DESDE 1939 - UTILIDADE PÚBLICA MUNICIPAL E ESTADUAL

Opinião

Futebol brasileiro corre risco de perder sua força

A bola continua correndo livre, leve e solta pelos gramados do mundo. São centenas de campeonatos e torneios em disputa. Alguns com alto prestigio, reunindo os grandes astros do futebol, milhares de torcedores e uma montanha de dinheiro impossível de quantificar. Outros são quase anônimos, passam praticamente despercebidos do público e da mídia. O certo é que o futebol marca presença em todos os cantos do planeta.

No Brasil o futebol é considerado como o esporte mais popular. Segundo os últimos levantamentos, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Atlético, Cruzeiro, Grêmio, Internacional e Santos, são os mais populares, reunindo quase cem milhões de torcedores. Somados aos demais, espalhados país afora, chegamos a números impressionantes. Evidente que qualquer pesquisa com relação a paixão clubista gera altas duvidas e polemicas. Para o torcedor o seu time é sempre o maior e melhor.

Entretanto, observa-se que os próprios times não sabem direito aproveitar da força que tem. Em geral não tratam o torcedor como cliente fidelizado e VIP. A situação vem até melhorando, mas ainda falta muito para atingir o ponto necessário. A comprovação vem por outra pesquisa. Uma imensa geração formada por 69% dos jovens entre 16 a 29 anos preferem torcer por times do exterior, em especial Real Madrid e Barcelona.

Estes dois times já estão entre os que mais vendem camisas no Brasil. Esta nova geração prefere ficar em casa ou no bar assistindo pelos canais exclusivos ou acompanhar tudo pelas redes sociais. Apenas como exemplo, o jogo entre Real e Atlético de Madri, deu mais audiência do que a maioria dos jogos realizados e transmitidos dentro do Brasil.

Outra força que vem crescendo entre os jovens é a preferência pelos games, quando podem interagir com os maiores times europeus e seus craques fabulosos. Virou rotina ver crianças e adolescentes trajando camisas do Chelsea, Bayern, Juventus, Barcelona e Real no lugar dos times da sua cidade.

Não é modismo. É um fato preocupante. Se nada for feito, o futebol brasileiro corre o risco de perder sua força. Pode até demorar, mas o caminho está sendo trilhado em boa velocidade. Os grandes clubes estão focados em montar elencos e comissões técnicas enormes, construir centros de treinamentos modernos e investir altas somas em tecnologia.

Hoje é possível fazer analise termográfica dos atletas, informando possíveis focos inflamatórios através da temperatura muscular, vários outros testes preventivos e o avançado “Olheiro Digital” para observar em mínimos detalhes todas as ações dos jogadores, inclusive adversários.

Tudo isto é importante e fundamental. Ainda que dentro de campo a qualidade tão seja assim tão “hi-tech”. Entretanto, um quesito vem sendo deixando de lado. Os clubes não estão cuidando com atenção prioritária do seu bem mais precioso. O seu torcedor. Do presente e principalmente do futuro. Alguns até tentam, mas de forma amadora ou sem o comprometimento ideal.

O fato é que está cada vez mais difícil e complicado para o torcedor ir ao estádio. São tantas as dificuldades que aos poucos ele vai se afastando, procurando outros tipos de diversão. E o mais grave, levando seus familiares e amigos. Uma mudança de habito perigosa para os clubes. Enfim, ir ao campo já não é um bom programa para muitas famílias.

 

A prova maior é de fácil constatação. Tirando as decisões ou jogos de grande importância, os estádios estão recebendo pouco público. Bem aquém da capacidade normal. Isto representa menos receita.

O interessante é que a maioria gostaria de comparecer, levar outras pessoas, fazer do futebol um momento de alegria, cabe então aos responsáveis pelos clubes, ao lado dos organizadores e realizadores do futebol encontrar de forma profissional a solução para o problema, enquanto ele ainda é pequeno, mas crescente. Antes que seja tarde.

Presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos – Luiz Carlos Gomes

DEU A LÓGICA

Mais uma vez Atlético e Cruzeiro estão prontos e preparados para duelo. O objetivo é conquistar o título de campeão mineiro. Para os dois uma rotina normal. Ao longo dos anos o galo já ganhou 43 campeonatos, a raposa 36, sobrando apenas 24 para os demais concorrentes. Computando as vezes que um dos dois ficou em segundo chegamos a números absurdos. Uma hegemonia impressionante. Não é caso exclusivo de Minas. Em grande parte do Brasil acontece a mesma coisa. Melhor, em grande parte do mundo acontece a mesma coisa. Alguns poucos times conquistando tudo e um batalhão de outros apenas correndo atrás do sonho. Um lindo filme com poucos protagonistas e milhares de figurantes. 

A explicação para tamanha desigualdade é simples. Pode ser aplicada em qualquer lugar, mas vamos nos ater apenas ao nosso futebol doméstico.  Temos aqui somente dois clubes realmente grandes. A primeira pista fica no terreno financeiro. Atlético e Cruzeiro faturam muito mais do que os concorrentes juntos. 

Isto representa maior poder de investimento em estrutura física, mais recursos em todas as áreas, melhores profissionais a disposição e principalmente na formatação de elencos em maior quantidade e obviamente de melhor qualificação, fabricando talentos e buscando no mercado os grandes ídolos.

E o mais importante, a força mágica dos seus torcedores. De geração em geração milhares de pessoas lotam estádios, gritam, cantam, agitam, empurram o time, fazem a roda girar comprando produtos e serviços. Um imenso público consumidor que atrai os mais variados patrocinadores. Torcedores apaixonados cujo número cresce cada vez mais.  

Do outro lado, os concorrentes tiram leite de pedra para montar suas estruturas e contratar bons jogadores. Normalmente formam elencos limitados e quando aparece algum destaque passam logo nos cobres para salvar o orçamento ou quitar dívidas.

Até começam bem nas competições. O entusiasmo ajuda, mas aos poucos, com as contusões, suspensões e falta de grana vão perdendo força. Não contam também com grande número de torcedores para ajudar e incentivar.

Não existe solução fácil para o problema. Pior, a cada ano a distância só aumenta. Muitos planos e projetos já foram tentados. Esbarra sempre na absoluta falta de recursos financeiros para bancar algo diferente.

Pode ser que no futuro distante o milagre aconteça. Quem sabe a economia deslanche, Minas cresça de verdade, apareça novos empreendedores dispostos a investir pesado nos outros times. Em especial nos tradicionais times do nosso imenso interior. Não custa nada sonhar.

Enquanto isso, vamos vivendo o presente. O momento é agora. Os melhores craques já estão devidamente preparados. A emoção vai transbordar mundo afora.

Atlético e Cruzeiro não tem culpa de nada. Pelo contrário, são grandes e poderosos porque souberam construir com alicerces fortes as suas histórias. Não estão em mais uma final por acaso ou ajuda estranha. Merecem com todos os méritos os lugares que ocupam.

O importante mesmo é que o duelo final seja limpo e grandioso dentro e fora do estádio. Que a paz e o bom senso tome conta dos torcedores. O futebol mineiro vive um domingo de gala.

Guarde o seu sorriso e a sua energia. Quem sabe logo mais você poderá soltar o grito de campeão. Boa sorte. 

Mulheres & Futebol

Março é o mês delas. Graciosas e competentes marcam presença forte em todos os setores da vida moderna. Não poderia ser diferente no esporte, em especial no futebol. No início eram poucas. Aos poucos foram ocupando espaço. Determinadas, buscaram o conhecimento, unindo o amor ao esporte a especialização conquistada nos bancos escolares. Hoje são dezenas atuando em todos os setores da mídia esportiva. Sabem tudo e muito mais. Merecem o nosso carinho e respeito. Muito bom verificar nos arquivos da AMCE a quantidade de mulheres filiadas, devidamente credenciadas para atuar com enorme profissionalismo. Uma prova que mulher é muito mais do que mãe, esposa, filha ou namorada. Parabéns as mulheres radialistas e jornalistas esportivas. Parabéns a todas as mulheres que neste Março recebem as merecidas homenagens.

Mudando de assunto, importante destacar o bom trabalho que a Federação Mineira de Futebol, sob o comando do jovem presidente Castellar Modesto Guimarães Neto, vem realizando em favor do nosso futebol. Além de modernizar a entidade em todos os sentidos, movimenta o futebol em praticamente em todas as regiões de Minas. Evidente que a grande maioria do público acompanha mesmo é o campeonato do modulo I. Reúne os principais times, apresenta jogadores de renome, atrai bons patrocinadores e mobiliza considerável massa de torcedores. Além de merecer grande destaque na mídia. Para se ter uma ideia, centenas de veículos de comunicação, da capital e do interior, mantém equipes de profissionais envolvidas exclusivamente com o principal campeonato de futebol de Minas.

Mas o futebol mineiro tem muito mais coisas rolando por ai, na maioria das vezes de forma quase anônima. Por exemplo. Temos o campeonato do modulo II, reunindo times tradicionais. Neste ano participam o Nacional de Muriaé, Social de João Monlevade, Guarani de Divinópolis, Betinense de Betim, Tupynambás de Juiz de Fora, Boa de Varginha, Mamoré de Patos de Minas, Patrocinense de Patrocínio, Cap Uberlândia, Uberaba e Araxá. A disputa acontece em duas etapas. Na primeira, dividida em dois grupos, classificam dez para o hexagonal final. Os dois últimos dos dois grupos da primeira fase descem para a segunda divisão. O campeão e o vice do hexagonal sobem para o modulo I.                                                                                                                O importante é que os clubes se obrigam a utilizar jogadores de até 24 anos. Com exceção de sete atletas com mais idade. É sem dúvida uma excelente oportunidade para os jovens iniciarem suas carreiras. Imagino o sacrifício dos dirigentes para manter seus clubes nesta disputa. Normalmente os jogos acontecem em estádios apertados e vazios. As viagens e hospedagens não são de primeira e a falta de recursos para saldar os compromissos é uma constante. Na verdade estes clubes contam apenas com o apoio da Federação, de alguns poucos idealistas e da imprensa esportiva de suas cidades, que não medem esforços para transmitir os jogos e valorizar o evento e seus participantes. É um caminho duro para tentar alcançar o sonho de chegar a elite do futebol.

A Federação organiza também o campeonato da segunda divisão que conta com a participação dos seguintes clubes: Arsenal de Santa Luzia, Luziense de Santa Luzia, Coimbra de Belo Horizonte, Siderúrgica de Sabará, Valério de Itabira, Santarritense de Santa Rica do Sapucaí, Venda Nova de Belo Horizonte, Guaxupé, Itaúna, Ponte Nova e Jacutinga. São clubes semiprofissionais, alguns com larga história de sucesso no passado, mas que ao longo do tempo foram perdendo força. Sobrevivem pela vontade e garra de uns poucos abnegados.   

Outra competição que tem muita tradição e merece o respeito de todos é ligada ao futebol amador de Belo Horizonte. Esmagado pelo crescimento da cidade que acabou com a maioria dos campos, continua existindo e sobrevivendo meio na marra.  Por mais incrível que possa parecer 48 times participam. Divididos em oito chaves, disputam cerca de 24 jogos a cada domingo. São mais de 1.400 jogadores envolvidos, além de treinadores, árbitros, auxiliares, apoiadores, dirigentes e torcedores. Sim, muitos dos times amadores tem torcedores apaixonados. Estes times lutam contra a falta de recursos, de campos e da total falta de espaço para divulgação. Normalmente jogam em horários alternativos. Na verdade os times amadores são verdadeiros heróis da resistência.

Outras competições promovidas pela FMF também acontecem ao logo do ano. Campeonato de futebol feminino, Taça BH, Copa Itatiaia, Torneio Corujão e torneios para menores de 15,17 e 20 anos. Um esforço tremendo para manter acesa a chama do futebol. Pelo interior afora, as ligas desportivas se desdobram para organizar as mais variadas competições. Infelizmente muitas estão com suas atividades paralisadas por total falta de recursos. Com a crise, o que já não era bom, piorou de vez.

Assim caminha o futebol mineiro. Alvo de críticas, renegado por muitos que pregam até sua extinção em favor das grandes competições nacionais e internacionais, mas que segue firme encarando o desafio de continuar construindo sua história.

 

Luiz Carlos Gomes – Presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos-AMCE

Homenagem – Luiz Carlos Gomes para Edição do Brasil
Coluna feita pelo presidente Luiz Carlos Gomes no jornal Edição do Brasil em “Articulista da semana” no Caderno de esportes, página 12. Edição de 18 a 25 de Fevereiro de 2017.

HOMENAGENS

Reconhecimento. Este é o objetivo maior da ação que a AMCE – Associação Mineira de
Cronistas Esportivos e a FMF – Federação Mineira de Futebol estão realizando durante o campeonato mineiro para homenagear os cronistas esportivos de todos os tempos. Iniciamos com os companheiros já falecidos, na sequencia vamos reverenciar os
veteranos, muitos já aposentados, outros em plena atividade.

Em cada rodada do campeonato mineiro, um jogo é escolhido para sediar o evento.
Já homenageamos os saudosos Felipe Drummond. Osvaldo Faria, Fernando Sasso, Kafunga, Jairo Anatólio, Dirceu Pereira, Waldir de Castro, Benjamin Abiliac, Roberto Drummond e Vilibaldo Alves. Familiares são especialmente convidados e antes do jogo recebem uma placa especial das mãos do jovem presidente da Federação Mineira de Futebol, Castellar Modesto Guimarães Neto e deste presidente da AMCE. É um momento de alegria e profunda emoção com muitos Abraços, palmas, choros e fotos.

A ideia foi sugerida pelo companheiro Orlando Augusto durante uma descontraída roda de conversa e prontamente acatada pela AMCE e FMF. A ação será permanente e a cada campeonato mineiro, ao longo dos anos, vamos saudar vários companheiros da crônica esportiva de Belo Horizonte e do interior de Minas.
É uma homenagem simples, mas de profundo significado. Afinal foram eles que abriram as trilhas tortuosas e desconhecidas que serviram de guia para construção da bonita e bem pavimentada história da nossa comunicação esportiva e do próprio esporte mineiro.

Tinham a disposição apenas o talento nato, a garra e a vontade de fazer bem feito. Lutaram muito, enfrentaram desafios gigantescos, dedicaram boa parte de suas vidas ao sonho de ser cronista esportivo, mas se transformaram em grandes profissionais, fizeram escola, formaram público e levaram a informação e a valorização do esporte mineiro, em especial do nosso futebol, a todos os cantos de Minas, do Brasil e do mundo.

Prestar esta singela homenagem é também uma forma de agradecer o público. Muitos
se lembram com carinho dos grandes narradores, comentaristas, repórteres, redatores, colunistas e até mesmo do pessoal técnico que marcaram época no rádio, na televisão e nos impressos. Temos recebido centenas de mensagens, agradecendo e aplaudindo a iniciativa. Uma prova que todos estão bem vivos na memória de várias gerações.
Entretanto realizar esta ação não é tarefa fácil. Encontrar familiares dos companheiros já falecidos ou aposentados é uma árdua missão. Contamos com o apoio de muitos colegas e amigos para descobrir onde estão. Quem puder ajudar dará uma bela contribuição.

Vale destacar que estas homenagens fazem parte de um projeto maior da AMCE desde o início da nossa gestão, ou seja, resgatar, preservar e valorizar a memória da entidade e dos seus associados. Sendo assim, apoiamos a produção e edição da Enciclopédia do Rádio Esportivo de Minas Gerais, um trabalho inédito e excepcional das jornalistas Nair Prata e Maria,Cláudia dos Santos com a biografia de centenas de cronistas esportivos. Recuperamos várias placas, troféus, flamulas, matérias, histórias e diplomas, agora expostos em nossa sede.

Recuperamos inúmeras fotografias de todos os tempos que estão sendo digitalizadas e breve disponibilizadas no site da entidade. Organizamos várias entrevistas especiais com cronistas esportivos, contando sua história. O acervo está disponível no site.
Com apoio voluntario do fotografo Osmar Ladeia estamos registrando em todos os
jogos a nossa turma trabalhando. Todas as fotos estão no site.
Assim, valorizando o imenso e importante trabalho realizado no passado, apoiando integralmente os companheiros do momento, mas de olho no futuro, a AMCE vai construindo sua história.

Jovem e saudável aos 78 anos que serão completados em Julho próximo, estamos preparados para novos desafios, certos de que sem a presença firme, constante e independente do cronista esportivo, o nosso esporte não seria tão forte e respeitado.

Viva ao nosso futebol

O Campeonato Mineiro de futebol em seu módulo I, vai entrando na reta final. Depois de extensa maratona de jogos, falta muito pouco para que os quatro melhores classificados iniciem o duelo em busca do título. Previsão de fortes emoções dentro e fora de campo para que o campeão de 2017 seja conhecido. A expectativa é enorme e qualquer palpite não passa de mera especulação. Ao mesmo tempo, vários times apostam suas fichas em outras competições nacionais e internacionais. O Atlético tem pela frente o forte desafio da Copa Libertadores, enquanto o Cruzeiro se desdobra entre a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil. Infelizmente, nesta última, América, Boa, Caldense e URT, já foram desclassificados.

Atlético e Cruzeiro ainda vão disputar a Série A do Brasileiro, América e Boa a Série B, Tupi e Tombense a Série C. Restando 03 vagas na Série D para os mineiros. Caldense, Uberlândia, Villa Nova e Democrata estão na boca de espera.

Não é nada fácil. São dezenas de viagens, jogos e outras dificuldades. Para chegar ao topo em qualquer uma das competições, guardadas as devidas proporções, é preciso manter um elenco acima da média e uma estrutura impressionante. É preciso investir uma boa grana.

Em termos de campeonato brasileiro, Atlético e Cruzeiro reúnem estas condições. Possuem excelentes estruturas, altos recursos financeiros e grandes jogadores, mas vão enfrentar adversários poderosos em todos os sentidos.
Nas demais series, os times se equivalem. Uns tem dinheiro, mas pouca estrutura e jogadores medianos. Outros têm bons jogadores, mas pouca estrutura e recursos financeiros. Às vezes contam mais com a força da tradição, da camisa, dos seus torcedores que lotam estádios para empurrar o time, do que do próprio futebol praticado. É uma gangorra difícil de entender ou tentar fazer algum tipo de previsão.

Enquanto os chamados grandes e médios do futebol mineiro buscam voos mais interessantes e rentáveis, os pequenos lutam desesperadamente para conquistar um lugarzinho ao sol.
Vejam por exemplo o caso do modulo II do Campeonato Mineiro. Depois de uma longa fase classificatória, 06 times começam a disputar o sonho de subir para a divisão principal no ano que vem. Para tanto precisam conquistar o primeiro ou o segundo lugar.

Betinense de Betim, Tupynambás de Juiz de Fora, Nacional de Muriaé, Uberaba, Patrocinense de Patrocínio e Boa de Varginha, jogam em turno e returno até o dia 20 de Maio, numa disputa intensa e sacrificante.
Interessante observar que alguns times, hoje pelejando na segunda divisão regional, já fizeram história no futebol mineiro. Alguns centenários, que sumiram do cenário e agora tentam voltar ao palco. Outros emergentes, querendo mostrar serviço.

Vai acontecer ainda o campeonato da segunda divisão, em fase de organização. Nesta competição, entre outros, figuram times como o Siderúrgica de Sabará (que já foi duas vezes campeão mineiro) e o Valeriodoce de Itabira.
Promovendo, divulgando e defendendo tudo isto está a nossa valorosa imprensa esportiva. Dezenas de emissoras de rádio e televisão, jornais, webs, sites e demais redes sociais, movimentam mais de 1.500 profissionais credenciados pela AMCE. Em cada canto de Minas, equipes esportivas, sem medir esforços, vencem os maiores desafios para acompanhar tudo que rola neste incrível universo do futebol mineiro.
Muita gente, especialmente aqueles que moram na capital, acostumados aos grandes jogos, as grandes coberturas da mídia, não valorizam as competições regionais, muito menos o futebol do interior.

Não sabem o tamanho da importância destes eventos. Da luta dos dirigentes dos times pequenos. Do sacrifício de centenas de treinadores e jogadores na busca incessante para conquistar espaço. Da alegria dos torcedores em ver o representante da sua cidade brigando para crescer. Do esforço dos profissionais da imprensa esportiva em carregar o sonho de muita gente, mesmo sabendo que a realidade na maioria das vezes é dura e quase impossível.

E mais, o futebol regional gera trabalho, garantindo o sustento de várias famílias. Gera inclusão social, desperta o interesse dos jovens pelo esporte e melhora a autoestima de muita gente que vive em locais distantes dos grandes centros.

Imagine se no Brasil existisse somente as grandes competições nacionais e internacionais. Em Minas teríamos apenas dois times ou com muito esforço uns quatro.
E o resto, como ficaria?

*Presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE